Princípios

1. Micro-geografias da Esperança
O entendimento das práticas dos espaços expositivos (Acolhimento), assim como as bases para as ações extra-muro (Irradiação), tornam-se pontos de encontros de múltiplas temporalidades, respeitando diferentes modos de pertencimento no mundo contemporâneo. A escala micro-geografia propõe pequenos gestos sócio-políticos que quebrem o ciclo globalizado da alienação, consumismo, individualismo, inaugurando territórios de processos de conscientização, onde a participação é central para o confronto ético com os dilemas da cidadania cultural. É a partir da junção de conceitos-chave como “princípios da esperança” (Ernest Bloch) e “geografia de ações” (Milton Santos) que se fundem propostas de trabalho a orientar as práticas de Acolhimento e Irradiação nas ações dentro e fora das instituições culturais.

2. Ética das experiências compartilhadas
Princípio político pedagógico onde a centralidade dos processos é validada como construção coletiva do conhecimento. Esta dimensão ética assume o desafio de quebrar narrativas hegemônicas trazendo possibilidades de leituras pertinentes ao dialogo com os saberes locais. A prática dos espaços públicos da arte é entendida como possibilidade de compartilhamento de múltiplas vozes (Fred Evans) num sentido radical de afetar os diversos campos de atuação das instituições culturais, com a perspectiva de superar os limites de aceitação dos conhecimentos não especializados dentro do campo artístico/cultural/educativo.

3. Das Poéticas do Infinito a uma Pedagogia do Infinito
Conjugação experimental entre educação e arte como mecanismos abertos, cujos conteúdos são re-significados como parte de processos não imediatamente conscientes. Prática educacional como aventura em descobrimento abrindo a possibilidade da experimentação viva, sem destino pré-fixado. O infinito aqui significa processo, como um caminho de formação humana que proporcione leituras de mundo (Paulo Freire).

4. Coletando Experiências – território de processos, laboratório de percepções e afetos
Coleções dos museus repensadas juntamente com os registros de vozes e interpretações que constituem a vida pública – identidade e missão de um museu para o século XXI. Aqui a curadoria é levada a pensar o conceito de coleção de objetos como uma coleção de experiências – arquivo de comentários (Manuel Borja-Villel) – integrando curadoria e educação para experimentar formas de construir e acolher novas narrativas. A perspectiva de compor coleções e práticas integradas ao fluxo de experiências relacionadas ao museu propõe uma ampliação do campo para além das práticas artísticas, considerando os modos de participação como elemento relevante na definição das políticas curatoriais (Okwui Enwezor).

5. Cuidado e pertencimento
Nas práticas experimentais de educação e arte – na mediação entre museu e sociedade como lugar de afetos, onde as relações são tratadas como esculturas e tecidos – o cuidar é pertencer. Os artistas educadores agenciam e enunciam territórios de processos, multiplicam vozes e narrativas e constroem lugares de pertencimento, assumindo os riscos de construir e cuidar de relações. Neste ponto, a dimensão do jogo e da brincadeira se soma às práticas artísticas experimentais (Lygia Clark; Joseph Beuys) visando o pontencial de transformação nelas contido.

6. Trabalhando com o princípio da Banda de Moebius
Prática de trabalhar entrelaçando ações do dentro e fora do museu e de se romper com as fronteiras históricas que separam arte e vida ou museu e sociedade. A Banda de Moebius é proposta como a imagem/processo para um pensar sistêmico e complexo (Edgar Morin) embasado na experiência estética, buscando quebrar sistemas binários de oposições e dicotomias históricas e sócio-culturais. Sobrepor-se à separação de classes e narrativas significa romper com categorias como dentro e fora; sujeito e objeto; sujeito e mundo; privado e público; arte e educação; curadoria e educação.

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