Encontros Multissensoriais – Você mesmo faz

Por ocasião do 65º aniversário do MAM, o encontro multissensorial de abril dialogou com a exposição Polaridades – Coleções MAM. Com a intenção de ativar a obra de Hélio Oiticica, convidamos os participantes a re-fazer os parangolés como proposições, no qual cada um ajudou o próximo a fazer o seu próprio parangolé. A confecção dos parangolés foi atravessada pela experiência corporal, na noção da cor em campo expandido, da palavra escrita no espaço, uma obra que se faz no movimento da vida.

Tomando como ponto de partida o sentido de ruptura e síntese das obras expostas, propomos, no fazer, pontes de entendimento com o que esse território pós anos 60, evidencia na corrente atual da arte brasileira.

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Realização: 27 de abril 2013

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Encontros Multissensoriais: Uma carta é sempre um pedaço de pessoa

O encontro multissensorial de março, partiu do pressuposto básico que permeia a iniciativa de um programa de acessibilidade dentro do museu: a partilha. O encontro contou com a presença da artista Laura Erber, que em Musa Sem Cabeça: A fábula do contemporâneo, questiona e reconfigura o aparelho simbólico que se constrói em torno ao espaço e entendimento da arte.

No desejo de pensar e discutir em conjunto o lugar da obra de arte, a proposta deste mês foi ao encontro da obra de Erber, através da leitura de fragmentos dos telegramas e a sua re-elaboração poética por parte do coletivo.

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Participação: Laura Erber (artista)
Realização: 30 de março 2013


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Encontros Multissensoriais: O museu à escuta II

Em O museu à escuta II o Núcleo Experimental deu continuidade à pesquisa nas obras da coleção Gilberto Chateaubriand, avançando nas premissas propostas no encontro anterior – Encontros Multissensoriais Janeiro – O museu à escuta. Nesse segundo encontro foi aprofundado o entendimento de como o espaço compartilhado da arte age em nossas vidas e paralelamente, continuamos pensando num possível percurso sensorial na exposição da Coleção. Depois do primeiro encontro do ano ter focado em obras do neo-concretismo brasileiro, o encontro de Fevereiro se realizou através de um percurso que juntou as obras 2 sobre 2 do artista Ricardo Ventura e Cubos no cubo de Paulo Roberto Leal.

Realizado pela segunda vez consecutiva em parceria com a Instituição Sodalício Sacra Família, o encontro teve como principal diferencial a partilha de um momento sonoro/musical nos pilotis. A dimensão do espaço externo explorado através da sensorialidade deu espaço para, uma vez na Coleção, criar renovados laços com o entendimento e a partilha que a arte pode provocar.

Prece ao Vento
(Fernando Luiz, Gilvan Chaves E Alcyr Pires Vermelho)

Vento que balança as palhas do coqueiro
Vento que encrespa as ondas do mar
Vento que assanha os cabelos da morena
Me traz notícia de lá
Vento que assovia no telhado
Chamando para a lua espiar
Vento que na beira lá da praia
Escutava o meu amor a cantar
Hoje estou sozinho e tu também
Triste, mas lembrando do meu bem
Vento diga, por favor,
Aonde se escondeu o meu amor
Vento diga, por favor,
Aonde se escondeu o meu amor

(Música cantada pela participante Elizabeth, aluna do Instituto Benjamin Constant, durante o encontro e que marcou o início e o fim da atividade)

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Realização: 23 de fevereiro de 2013

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Encontros Multissensoriais – O museu à escuta

No primeiro Encontro Multissensorial do ano de 2013, o grupo visitante Abrigo Sodalício da Sacra Família não conhecia o MAM e foi recebido pela equipe do Núcleo Experimental com o mesmo cuidado e acolhimento que imprimem uma característica particular ao nosso trabalho. A primeira proposta que surgiu foi dividir o grupo em duplas de cegos e videntes, seguindo as premissas propostas no roteiro, começando a visita pela escultura do artista Franz Weismann nos jardins do MAM. Durante o tempo de exploração da obra, notou-se que muitos dos participantes associaram a sua forma com a de uma “casa”, mas não qualquer casa, uma “casa diferente”, sem paredes, apenas “portas” e/ou “janelas” sempre abertas, não determinado um lugar de entrada e saída desta casa, mas apenas espaços abertos ao encontro, brincadeira, imaginação…
Interessante pensar que este conceito surgiu do próprio coletivo, não tendo nenhum dos educadores presentes instigado a associação da escultura ao simbolismo da casa; no entanto, sabe-se que esta obra permanente do jardim está continuamente sendo “ocupada” por moradores de rua, que fazem dela e do seu redor o seu abrigo; e que ainda, um dos motivos que nos levou a escolher esta obra para começar o encontro é que ela nos servia como uma metáfora potente para discutir “onde começa o museu”, os conceitos de sua arquitetura modernista, a relação intrínseca com a paisagem/cidade: proposta dos jardins do MAM como o “museu fora”, aberto, ao ar livre, em relação ao “museu dentro”, que preserva as exposições em ambiente fechado, códigos de conservação e nomeação das obras, regras de visitação e aproximação das mesmas, etc…
Quando passamos para o interior do museu, nos dirigimos até o terceiro andar para realizar o toque em três esculturas da exposição Genealogias do Contemporâneo: Franz Weismann, Amilcar de Castro e Ascânio. As duplas formadas para a visitação aos jardins foram re-organizadas, agrupadas em três grupos que se revezaram entre as obras. Uma das primeiras impressões que surgiram nesta segunda etapa do encontro foi a rápida leitura cognitiva das esculturas e direta analogia com a obra explorada anteriormente nos jardins: alguns dos participantes conectaram, através da forma e do material da escultura, apesar da diferença de escala e desenho, a autoria de Franz Weismann.

Novamente a imagem da casa como uma expressão do reconhecimento e interpretação da obra. Tal imagem surgiu com tanta força que foi associada a uma música de Vinicius de Moraes, cantada primeiramente por Paulina, ao pé do ouvido de Guilherme, quando nos dirigíamos para a entrada do MAM, e que foi recuperada, sendo cantada em pequeno coral durante o toque da escultura de Weismann na Coleção e depois, no final do encontro, por todo o coletivo:

A Casa
(Vinícius de Moraes) 

Era uma casa muito engraçada
Não tinha teto, não tinha nada

Ninguém podia entrar nela, não
Porque na casa não tinha chão

Ninguém podia dormir na rede
Porque na casa não tinha parede

Ninguém podia fazer pipi
Porque penico não tinha ali

Mas era feita com muito esmero
Na rua dos bobos, número zero

Compreendemos que através da atenção ao outro, da construção de vínculo dentro de um grupo de pessoas que não necessariamente se conhecem a princípio, mas que a partir da mediação, exercício que é compartilhado como atividade desenvolvida pelo próprio coletivo, acreditamos que há uma transformação sensível nas relações daqueles que integram e interagem com os Encontros Multissensoriais – o grupo que realiza o encontro em si, mas também outros visitantes do museu afetados pela coreografia multissensorial, costumam se aproximar e acompanhar os nossos passos pelo museu. A potência pedagógica da obra de arte pulsa como conhecimento próprio de si, no encontro da alteridade quebrando barreiras que nos distanciam pela diferença para provocar aproximações, uma aprendizagem coletiva da arte, a arte como vontade de viver e criar.

Algumas questões mapeadas neste encontro:

  • Quando um Museu vira Casa e vice-versa? Quais circunstâncias criam essa afetividade e pertencimento possível?
  • Quando a Arte não é algo que precisa se impor ou afirmar, mas um convite para ser e estar, habitar mesmo que provisoriamente, no mundo compartilhando de diferentes formas de ver, entendidas além do sentido visual?
  • “Arte é coisa mental!”, exclamou uma das participantes. Assim, toda visualidade da arte é interna. Em uma instância mais profunda, há um “comum”  que podemos acessar.

Encontros Multissensoriais: O museu à escuta contou com a parceria do Prêmio PIPA
Produção: Matrioska Filmes
Direção: Luís Gustavo Ferraz

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Realização: 26 de janeiro de 2013

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Encontros Multissensoriais – Universos Plurais

No último Encontro Multisenssorial de 2012 celebramos uma experiência plural dos entendimentos que a arte provoca na exposição Humúsica do artista Cabelo. Com a presença do artista a proposta convidou ao uso de todos os sentidos, levantando múltiplas formas de se relacionar com os processos de criação e o fazer artístico em geral. Na exploração de diferentes potencialidades sensoriais, esse encontro, foi uma viagem para um universo interior, onde enfatizamos a criação de uma dimensão coletiva, compartilhada entre cegos e não cegos, modos plurais de ser e estar no mundo.

O artista Cabelo apresentou no MAM uma exposição que experimentava a sutil música da humanidade em suas múltiplas possibilidades criadoras, da pedra à palavra, da harmonia ao caos. Os participantes andaram e conversaram pelo espaço, costurando linhas imaginárias e desenhando assim diferentes figuras no espaço da exposição. A proposta teve como resultado um corpo-coletivo em movimento, esculpido pelo tempo. Humúsica. Música fértil, decomposta, transformadora.

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Realização: 24 de novembro 2012

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Encontros Multissensoriais: Paro-penso-olho-movimento

Espaços e tramas que geram encontros. Balanço que cria temporalidade. Como esses cruzamentos entre o individual e o múltiplo são criados? No Encontro Multissensorial de Outubro, os participantes foram convidados a interagir com as esculturas cinéticas do artista Raul Mourão. Na exposição “Tração Animal”, os visitantes do museu encontraram uma série de obras dispostas para serem tocadas. As esculturas de Raul Mourão possuem uma particularidade: o balanço cinético das obras acontece pela participação direta do público, que através de uma aproximação e exploração das qualidades de movimento que cada obra provoca, impulsa o seu pulso com ela.

O encontro tentou responder algumas das seguintes perguntas: Quando percebemos o nosso corpo como a medida das intensidades da ação da gravidade? Como podemos perceber o nosso corpo na própria resistência que ele oferece? Quando me reconheço como um corpo-máquina? De quais formas podemos reconhecer um movimento que se faz ou sucede com intervalos regulares?  Ritmo, velocidade, equilíbrio e deslocamento: esse Encontro Multissensorial foi o espaço para pensar o tempo analógico, a partir do reconhecimento do tempo de cada um, individual e compartilhado.

Depoimento de Laura Possano, colaboradora do programa:

“Fico com a deixa: o museu pode ser um espaço para sair de um ritmo e entrar em outro, para problematizar o ritmo habitual, ter lembranças, ser ninada e irritada. Pular corda marca pra sempre e faz esquentar o pulso.”

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Realização: 27 de outubro 2012

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