Afeto

Virgínia Mota
artista/educadora

Mapa de afetos, a viagem no museu

“Por que decide um artista trabalhar continuamente com determinado museu? E entende este como dentro e fora de portas? Daria para o entender como uma casa orgânica? porquê? Como cuidar dessa casa? Em relação a um projeto de educação qual seria o diferencial, ou o que se modifica em uma escola a céu aberto? Como o processo artístico faz sentido em discussão de um determinado grupo? Através de uma experiência como com o Pedregulho como repensar encaminhamentos? Como a experiência da arte possibilita amplas mudanças nas relações sociais, políticas e algum outro sentido, filosófico, para uma vida melhor? Porque a arte nos faz querer ser mais? Ser feliz, sozinho e em grupo, é já um fazer pelo mundo?”

pedregulho montagem 1A partir da linguagem audiovisual e do desenho o projeto tem o sentido de gerar uma relação de pertencimento com do espaço do museu, criando um mapa tendo o MAM como ponto de partida, associado a elementos com os quais os participantes estabelecem relações de afetos, como o lugar onde mais gosta de brincar e a pessoa que mais gosta.

pedregulho longeConjunto Habitacional Prefeito Mendes de Moraes [Pedregulho]
Habitação com arquitetura de Reidy [Benfica]

O Pedregulho é um edifício suntuoso construído em um dos morros na zona central e portuária do Rio de Janeiro.  Seu nome de batismo, contudo, é Conjunto Habitacional Prefeito Mendes de Moraes, mas há ainda um terceiro: o prédio é também chamado pelos moradores e habitantes arredores de “Minhocão”, seguramente como referência à edificação principal, um edifício de seis andares em formato curvilíneo, no topo de um morro. O prédio foi concebido pelo arquiteto modernista Affonso Eduardo Reidy  (1909-1964), construído entre 1947 e 1952, com o apoio de Carmem Portinho, Secretária de Obras no período, e de Prefeito Mendes de Moraes, que dá nome ao conjunto.

pedregulho antiga 1O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e o Conjunto Habitacional Prefeito Mendes de Moraes – Pedregulho, são projetos do arquiteto modernista Affonso Eduardo Reidy  (1909-1964). Partindo dessa premissa, a artista educadora Vírginia Mota propõe estabelecer um diálogo entre esses dois territórios, investigando suas singularidades e diferenças, proporcionando encontros de diálogos mas também de práticas artísticas. Conversas sobre a cidade, o cuidar, o habitar esses espaços, foram inerentes às experiências nos dois lugares. As conversas com os arquitetos responsáveis pela restauração e a Associação de moradores continuaram em outras ações.

pedregulho 2No final de fevereiro de 2011, a artista Virginia Mota inicia seu projeto no complexo habitacional Pedregulho. No decorrer do processo, a artista foi coletando entrevistas e depoimentos dos trabalhadores envolvidos na obra de restauração do prédio, assim como dos próprios moradores. Nos meses de março e abril, a artista editou o vídeo, que foi exibido posteriormente para o próprio grupo na cinemateca do MAM.

Coletivo Briza

A parceria com o Coletivo Briza aconteceu em dois momentos: primeiro com a artista e educadora Anita Sobar, de outubro de 2010 a março de 2011, e depois com Virgínia Mota, de maio a julho de 2011.

briza capa“O primeiro encontro com este grupo foi imediatamente revelador. Fui ao encontro deles no lugar onde marcaram- ambiente onde normalmente se encontravam para praticar o skate.  Ambos os lados, Núcleo-MAM e Coletivo Briza, estavam motivados por estreitar essa relação e predispostos a experimentar essa troca  através das práticas artísticas. A partir de uma breve conversa sobre o deslocamento do olhar pela suas experiências do skate, ofereci pequenos espelhos, o que resultou em uma série de fotografias com potencial para uma exposição. A experiência provocou importantes reflexões e gerou, por exemplo, curiosidades acerca de simples questão como fantasmagoria, movimento, ausência e perenidade, em paralelo com uma reflexão sobre suas próprias vidas. A partir desse, muitos outros encontros aconteceram no decorrer desse processo. Construímos uma relação de cumplicidade que gerou importantes vínculos, estabeleceu um diálogo permanente e uma vontade comum de realizar desdobramentos no campo criativo. Um ballet contemporâneo que foi trabalhado enquanto experiência sensível e inteligível. Ballet contemporâneo que acontecia ao nosso lado, cotidianamente, mas que passava despercebida. Dança, que já era trabalhada fisicamente, e espacialmente no uso da própria cidade, que mereceu ser partilhada através de um olhar específico do skatista, através da fotografia e do vídeo, e relatos do movimento transformador de experiência, pensamento, atitude e consciência da vida de cada um pessoalmente e enquanto grupo.”

brizaEm julho de 2011, o Briza participou da exposição Periferia.com no Parque Lage, com curadoria de Heloisa Buarque de Holanda, Gringo Cardia e Marco António Teobaldo, onde apresentou um texto elaborado pelos integrantes e fotografias produzidas em ações desenvolvidas no programa Irradiação, com a artista e educadora Virgínia Mota. O coletivo teve a iniciativa de enviar as imagens e o texto para seleção desse corpo de curadores, mostrando seu interesse crescente em provocar desdobramentos das ações das quais participaram, expandindo assim suas ações.

briza afeto 1

briza afeto 3 Retornar Projetos

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