Despedida: O Núcleo Experimental de Educação e Arte

“O amor é como um grão.
Tem que morrer para germinar.” – Gilberto Gil

Estamos concluindo um ciclo de 3 anos de uma rica experiência do Núcleo Experimental de Educação e Arte no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Mesmo diante de vários desafios, reconhecemos o quanto o Núcleo criou seu lugar em tão curto espaço de tempo. Enquanto programa experimental dedicado à educação para o MAM, podemos falar em uma projeção na cidade e porque não nacional e internacional. Acrescenta-se a esta trajetória de ações, as reflexões e debates realizados nos dois seminários internacionais reunindo convidados e parcerias como o MoMA, Walker Art Center, Casa Daros, Bienal Mercosul, Observatório de Favelas, Universidade das Quebradas, Spectaculu, British Council, Fundação Roberto Marinho, entre outros. » I e II Seminário Internacional

Como dimensionar ou avaliar o papel do Núcleo? Reconhecendo a importância histórica do MAM para a cidade, o Núcleo se projetou pelo seu investimento diferencial ou experimental como parte de uma prática educativa. Assim, defendemos o MAM como lugar de criação e de múltiplas vozes, tanto no cuidado com o acolhimento quanto na irradiação para comunidades. Neste sentido, o Núcleo foi também uma escola pública de arte e escola de arte pública para uma formação e aprendizado mútuo, tanto de nossa equipe quanto do público atendido.

Nesta diversificação de cenários de aprendizagem e cidadania, citamos a realização de um programa de acessibilidade em parceira com o Núcleo de Pesquisa Cognição e Coletivos – Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFRJ (NUCC) e Instituto Benjamin Constant. A concepção e desenvolvimento dos encontros multissensoriais, apreciado e reconhecido como referência já apresentada em simpósios especializados, é um exemplo de uma experiência de aprendizagem e pesquisa para todos. » Encontros Multissensoriais

Da mesma forma, a integração entre curadoria do MAM (Luiz Camillo Osório e Marta Mestre) e Núcleo mereceu sempre uma atenção especial, como no caso dos fóruns de múltiplas vozes para a mostra Nan Goldin. Neste caso, abriu-se publicamente outro entendimento do papel educativo de uma instituição – ativar o sentido de expor e da recepção pública como espaço de reflexão e debate. » Ação Conjunta

Os ateliês com artistas e educadores para famílias nos fins de semana e as inovações de ações interpretativas dialogais nas galerias e nos jardins do MAM, provocaram novas possibilidades e desafios das experimentações artísticas-pedagógicas. » Destaques

O experimental para o Núcleo foi também traduzido pelo envolvimento e colaboração com artistas na sua programação de atividades especiais, tais como, Alex Hamburger, André Renaud, Ascânio MMM, Cabelo, Carlos Vergara, Claudia Bakker, Domingos Guimaraens, Edmilson Nunes, Elisa Bracher, Enrico Rocha, Ernesto Neto, Fernando Codeço, Gabriela Gusmão, Guilherme de Carvalho, Guilherme Vaz, José Bechara, Laura Erber, Leo Stefano, Luiza Baldan, Manuel Caeiro, Marcos Cardoso, Pedro Victor Brandão, Ricardo Basbaum, Ricardo Ventura, Tatiana Blass, Tatiana Grinberg, Virgínia Mota, Vitor Cesar, Yonamine, entre outros pesquisadores, colaboradores e organizações, buscando aprofundar ou aproximar as relações entre práticas artísticas e o público. » DouAções

O Núcleo também trouxe para o MAM novos horizontes de redes de colaboração tais como o envolvimento da instituição junto às organizações sociais, como por exemplo, a Spectaculu, Papel Pinel, Coletivo Briza, CPMA (Central de Penas e Medidas Alternativas) de Niterói, Pimpolhos da Grande Rio, Luta pela Paz, Retiro dos artistas, CAT Terreirão, Cinco Visões, Casa da Arte de Educar, Casa da Arte de Vila Isabel, Instituto Terrazul, Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu, A Casa e Associação de Moradores do Conjunto Habitacional Pedregulho, onde foram realizadas visitas recíprocas: MAM na Comunidade e Comunidade no MAM. Esta linha de ação extra-muro foi conceituada como Irradiações. O seu sentido de formação e aprendizado foi mútuo –  onde artistas/educadores desenvolveram suas propostas de agenciamentos sócio-culturais juntamente com suas práticas artísticas-pedagógicas, estabelecendo novas aberturas e trocas nas relações entre o museu e cidade. » Irradiações

A importância de formação de artistas e educadores se desdobrou em todas as atividades do Núcleo não somente dentro do museu, mas em comunidades, escolas e também em universidades, através da parceria com o Instituto de Artes da UERJ, sendo o Núcleo um projeto do qual estudantes participaram como Laboratório de Artes Visuais, em 2010.

Ao longo desses três anos, vivenciamos experiências ricas com escolas, explorando novos olhares sobre arte e novas participações nos espaços e contextos do museu – um território (a ser) descoberto. » Visitas em grupo

Em 2011 realizamos um curso para professores em parceira com a 29ª Bienal de São Paulo e colaboramos com o Projeto Autonomia. Em 2012 inauguramos o programa Museu/Escola que buscou aprofundar vínculos com professores através de encontros continuados, grupos de estudos e colaborações aprofundadas com escolas, tais como o projeto-piloto com a Escola Municipal Emílio Carlos em Guadalupe – RJ, apresentado como estudo de caso no seminário Reconfigurações do Público II» Museu/Escola

O programa Diálogos se desdobrou a partir das discussões inauguradas nos seminários internacionais Reconfigurações do público I & II e em 2013 desenvolvemos uma série de conversas focando em temas como acessibilidade, zonas criticas entre ética, estética e pedagogia, e novas perspectivas sobre arte, educação e cidade. Em sua última edição, recuperamos a memória e homenageamos o artista e educador Ivan Serpa e seu papel para história do MAM. » Diálogos

Agradecemos em especial ao Luiz Camillo Osório, curador do MAM, pelo convite e apoio ao longo desta trajetória tão viva e inovadora para todos nós. Da mesma forma, ampliamos nossos agradecimentos a Petrobras que apostou num projeto experimental de educação e arte para o MAM, estando sempre diretamente engajados na partilha desta construção coletiva. Gostaríamos de também reconhecer a parceria com a UNIMED – Rio, Carlos Vergara pelo convite e Vale do Rio Doce que apoiou a inauguração do Núcleo em 2009.

Agradecemos todos que apoiaram e participaram em nossa trajetória.Todos os nossos esforços exploraram e refletiram as buscas por novas possibilidades e sentidos dos museus de arte para a educação no século XXI. Esperamos que essas sementes possam germinar em novos futuros.

O Núcleo Experimental de Educação e Arte

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Ao longo dos 3 anos de atividades no MAM, o Núcleo Experimental foi composto por uma equipe de artistas, educadores e produtores culturais, que em diferentes momentos, se dedicaram e contribuíram de maneira significativa para o crescimento e fortalecimento do projeto:

Adriana Fontes, Ana Chaves, Ana Clarissa Fernandes, Anderson Araújo, Anita Sobar, Beatriz Lahora, Bebel Kastrup, Bernardo Zabalaga, Bianca Bernardo, Eduardo Machado, Elielton Rocha, Felisa Perez, Gabriela Gusmão, Gleyce Kelly Heitor, Graziela Mello, Hugo Richard, Ignês Albuquerque, Jessica Gogan, Keyna Eleison, Leonardo Campos (AoLeo), Luiz Guilherme Vergara, Luna Leal, Maíra Dias, Mara Pereira, Renata Montechiare, Sabrina Curi, Sabrina Rosas, Taisa Moreno, Thiago Ortiz e Virgínia Mota.

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4 respostas em “Despedida: O Núcleo Experimental de Educação e Arte

  1. Que dia triste, hoje, recebendo esta notícia. Acompanhei o Núcleo durante o último ano e meio, participando de alguns encontros e eventos, todos de altíssima qualidade. Foi um exemplo de ação educativa embasada, discutida, pensada, experimentada. As lições que vocês deixaram vão permanecer conosco, sempre. Parabéns pelo lindo trabalho. Tenho certeza de que essa equipe fecha o Núcleo para abri novos caminhos. O rei morreu. Viva o rei!

  2. Caríssimos,
    Não sei, mas gostaria de saber os motivos pelos quais vocês estão encerrando as atividades de vocês. Talvez possamos ajudar.
    Apesar de não ter participado das atividades promovidas pela equipe e com a certeza de que foram da melhor qualidade, sinto imensamente, que mais uma ação voltada para a educação e a arte tenha chegado ao fim no Rio de Janeiro, em especial, no MAM.
    É necessário dizer aqui, que a divulgação sobre todos os eventos aí realizados e os seus desdobramentos sempre me chegaram por e-mail, pela voz de algum colega, e também de minha ex-aluna, Taisa Moreno, a quem agradeço. É do lugar de professora de arte que falo.
    Abraços e que soprem novos ventos!

  3. Faltam-me as palavras para expressar a tristeza que essa notícia me trouxe.. Falta-me o entendimento para processar a ideia de que um projeto tão inspirador tenha ficado por aqui. Muito grata e feliz por ter feito parte dele durante uns curtíssimos três meses, cujos, além de saudade, vão ainda dar frutos. Um abraço para essa incrível equipe desde o outro lado do atlântico. Até um dia destes, certamente!

  4. Por que encerrar uma atividade tão importante para todos os museus? Falta de patrocínio? O que acontecerá a partir de agora? O MAM voltará ao “ostracismo” em Arte Educação? Com todos os erros e acertos que normalmente acontecem em qualquer trabalho, tenho certeza de que o saldo foi positivo para a instituição, visitantes e artistas.

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