Colaborações: Projeto-piloto – Escola Municipal Emílio Carlos

O projeto-piloto com a Escola Municipal Emílio Carlos localizada no bairro de Guadalupe, zona norte da cidade, foi elaborado a partir de reuniões entre o Núcleo Experimental de Educação e Arte/MAM RJ e a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, representado na época por Jurema Holperin com o objetivo de formar um grupo transdisciplinar de trabalho continuado entre educadores do MAM, professores, alunos e funcionários. Para essa proposta inicial, quatro turmas, nove professores, coordenação pedagógica e direção participaram do planejamento das ações entre setembro e novembro de 2012.

O projeto foi dividido em quatro grupos de professores que elaboraram conosco um percurso para sua turma. A seleção de professores e turmas ficou a critério da escola. Acordamos um cronograma composto por um encontro de planejamento entre educadores e duas atividades no MAM e na E. M. Emílio Carlos. Com a colaboração da SME RJ, foi oferecido auxílio de ônibus e lanche para a saída dos alunos da escola até o museu.

Escola Municipal Emilio Carlos - Parceria Núcleo Experimental/MAM RJ e Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro

Escola Municipal Emílio Carlos – Parceria Núcleo Experimental/MAM RJ e Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro

Um dos principais objetivos dessa colaboração foi promover um lugar de encontro entre os educadores da escola e do museu. Cada um contribuindo com seus saberes, interesses e ideias para uma construção coletiva que gerasse uma proposta que acolhesse os alunos e as duas instituições: o museu e a escola. Para tanto, propomos aos professores que diante de seus interesses temáticos, isto é, a partir do que já estavam discutindo com seus alunos em sala de aula – já que o projeto chegou no segundo semestre – desafiamos os limites das disciplinas e fizemos um exercício de pensar uma proposta que transitasse pelos conteúdos do programa curricular da escola e do museu, mas que apresentasse algo de novo, singular. Algumas propostas partiram de alguns temas das disciplinas e a primeira foi resultado de um interesse dos educadores em criar um percurso que discutisse a ideia de museu, não só apenas pelo que expõe, mas pelos profissionais que o institui.

1º Percurso
O primeiro grupo contou com a participação dos professores Cristiane de Fátima Mendes Marçal (Artes Plásticas), Edimar Fernandes da Silva (Geografia), Mara Lucia Silva dos Santos (Língua Portuguesa) e a turma 1802 (35 alunos). No planejamento, criamos conjuntamente com os professores um percurso em que os alunos fariam um reconhecimento do museu pelos profissionais. Por meio de entrevistas e registros em vídeo e fotografia, criamos um percurso investigativo, em que as estruturas internas e externas do MAM foram reconhecidas pelo seu ‘avesso’, ou seja, identificamos através do depoimento de diversos profissionais – salão de exposição, curadoria, educação, cinemateca, documentação, setor de limpeza, administração – diferentes percepções sobre seu local de trabalho e sua relação com o museu. A partir das reflexões geradas nesse encontro, para a ação na escola, propomos o mesmo percurso: alunos e educadores nos apresentaram a escola a partir das histórias que compõe os espaços do jardim, quadra, estacionamento, sala de leitura, sala de aula, e refeitório e foram percebidos muitos pontos convergentes entre as duas instituições.

2º percurso
O segundo grupo foi composto pelos professores  Paulo José Peixoto de Souza (Ciências) e Suely A. da S. Bastos (Matemática) e a turma 1901 (40 alunos). Desenvolvemos um percurso no jardim do MAM com foco na observação e identificação das formas geométricas a partir do projeto paisagístico de Roberto Burle Marx. Com máquinas fotográficas e celulares captamos imagens que discutissem a linguagem do paisagista associada ao projeto urbanístico do arquiteto Affonso Eduardo Reidy e ao vocabulário da matemática e da física: ângulos, raízes quadradas, triângulos retângulos, massa, velocidade, tempo, medida, repouso, energia etc. Além de todo o jardim, exploramos as esculturas de Franz Weissmann, Haroldo Barroso e Amilcar de Castro, o jardim suspenso do Bloco Escola e no Bloco de Exposições visitamos o núcleo Ação no MAM - Turma 901Respirações Geométricas da exposição Genealogias do Contemporâneo do acervo permanente de Gilberto Chateaubriand com a curadoria de Luiz Camilo Osório. Com base nesse percurso, propomos a elaboração coletiva de um jardim na escola a partir dos registros, reflexões e estudos realizados no MAM e jogos de tangram desenvolvidos pelos estudantes em sala de aula.
Turma 1901 - Ação na E.M. Emílio Carlos: Preparação do jardim

3º Percurso
A partir de uma proposta realizada pela profª de música Selma S. Costa Souza na escola com a colaboração do profº de inglês Jorge Luiz Peçanha, a turma 1701 (35 alunos) compôs raps que apresentassem diferentes concepções sobre museu. Selecionamos os versos: “Dizem que lá só tem 3ª idade”; “Queria mesmo ver pintura em 3D”; “Esse museu tem a vida de luxo”; “Museu é assim…com ossos velhos” para um debate após a visita às exposições de arte contemporânea “Amor” de Luiz Zerbini, “Tração animal” de Raul Mourão e “Humúsica” de Cabelo no MAM. A conversa final foi sobre a ideia de museu, obra de arte com base em suas percepções antes e depois de visitar o museu. Refletimos sobre a importância da reflexão crítica que os alunos fizeram para criação dos raps, sobretudo quando se refere a um lugar que pretendem conhecer. No final do encontro, contamos com a participação do artista Cabelo que compartilhou conosco seu processo criativo, sua relação com a arte, poesia e música, além de nos contar como concebeu a exposição no museu. Na E.M. Emílio Carlos a turma elaborou novas composições com base nas experiências no MAM e, sobretudo no encontro com o artista.

4º Percurso
Animados pelo Profº de História Jorge Medeiros, a turma 1801 (35 alunos) foi estimulada a iniciar uma pesquisa com informações sobre o museu e as reformas urbanas do período em que a sede do MAM foi construída no Aterro do Flamengo. Para que os alunos experimentassem in loco alguns resultados de suas pesquisas, criamos um percurso do Centro ao Aterro do Flamengo, com o objetivo de identificar as transformações que a cidade sofreu em decorrência dos processos de urbanização e modernização nos últimos cem anos. Iniciamos a caminhada pelo Largo da Carioca, Praça da Cinelândia onde fizemos uso de máquinas fotográficas e molduras com a finalidade de registrar em detalhes os pontos que demarcavam, sobretudo, a influência europeia presente na arquitetura das igrejas, do Teatro Municipal, do Museu de Belas Artes e arredores. Ao virarmos a esquina, seguimos pela Rua Araújo Porto Alegre e na Rua da Imprensa, identificamos o marco da arquitetura moderna brasileira: Edifício Gustavo Capanema, antigo MEC, em contraponto com a Igreja de Santa Luzia e as memórias da Avenida Beira Mar. Concluímos nos jardins do MAM que converge parte desse percurso em sua paisagem. A partir dos registros – fotos, informações, experiências – propomos a construção de um guia que evidenciasse o trajeto entre o Largo da Carioca e o Museu de Arte Moderna por meio do ponto de vista do grupo.

Avaliação
O projeto-piloto nos fez perceber que ao criarmos novos espaços de relacionamento entre o educador do museu e o educador da escola planejando, vivenciando, participando das próprias questões que constituem o cotidiano escolar, possibilitou um maior reconhecimento das práticas pedagógicas e de todo o universo complexo que compreende o currículo escolar: da importância do conteúdo até os aspectos emocionais dos alunos. E em contrapartida, tivemos a oportunidade de apresentar algumas possibilidades de interlocução dos temas da escola aos temas do museu relativos não só a seu programa de exposições, mas sobre o jardim, arquitetura e sua conformação na cidade.

Observamos que o projeto-piloto foi realizado diante de um trabalho motivado, desde o início, por colaboração, isto é, aberto, em processo e atento ao outro. Um espaço de aprendizagem coletiva, dialógica, interessado em novas propostas que contribuam para pensar o programa curricular do setor de educação do museu, assim como o da escola fruto da interlocução de diversos campos de conhecimento.

A Escola Municipal Emílio Carlos é referência na rede, pois faz parte de um plano-piloto da 6ª CRE com formato de um turno único de 7 (sete) horas e perfil conteudista. Como deflagrar uma nova proposta de colaboração de conteúdos, sem que interfira no compromisso da instituição escolar com seu programa curricular? Identificamos e concluímos que interessantes proposições foram desenvolvidas ao longo desse projeto, como a descoberta de relações possíveis entre a matemática e a arte e, sobretudo, a possibilidade de emergir o ‘educador – autor’ e não meramente um reprodutor de discursos.

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Realização: setembro à novembro de 2012

Saiba mais sobre: Colaborações: Projeto-piloto – Escola Municipal Emílio Carlos
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